Olhos do Sol


um vôo sobre o mar e as letras

Pérolas da nossa Zona Oeste

Neide Amback

Canção para a Lua (I) 

 

Aqui estou

Lua esbranquiçada

Ergo-te os braços

para receber o batismo

de tuas gazes

 

Profetiza-me

mãe da poesia

lua que já se torna

avermelhada

e se avoluma

entremeando

os meus cabelos

 

Bailei enredada

em tuas gazes

fluindo a trama sutil

dos teus mistérios...

E nesta noite

eles me pertenceram



Escrito por Day às 09h37
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Neide Amback

Canção para a lua (II) 

 

A lua

brincava de esconde-esconde

atrás das arvores

A lua

travessa e trigueira

delineada

no céu cinzento

 

Brinquei

por momentos

com a lua travessa

ela se parece

com a menina

dos teus olhos

 

 



Escrito por Day às 09h35
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Summertime
by Unknown

 

 

Primeira atualização de 2006 do Olhos do Sol !

 

E mais gente talentosa, certo?

Este é o propósito do blog.

 

Desejando que a passagem de ano tenha sido maravilhosa (como foi a minha)

Apresento a atualização dessa semana:

 

  • No “Perólas da Zona Oeste”Naíra Veríssimo! Com apenas 16 anos, Naíra arrasa. É um orgulho ver poetas jovens aqui nos “Olhos”.

**Euuuuu**

 

 

 

  • Inaugurando nova coluna “Anjos de Prata” com um conto do meu amigo Beto Muniz. Beto é o principal responsável pelo sucesso do site dos anjos de prata www.anjosdeprata.com.br

 

 

 

 

  • Escritores da Estácio Barra World, um conto inédito, (!!!) feito especialmente para os “Olhos”, (!!!) do meu amigo querido Gabriel Bozano. Conheci o Boz na OE, e -  grande coincidência – depois ele  foi estudar Letras.



Escrito por Day às 11h31
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  • Abel Silva no “Objeto do Desejo e, finalmente.
  • Uma poesia minha “Baile das mãos”

Ufa! Coisa pra caramba! Mas eu prometo que só vou atualizar os “Olhos” na ultima semana de janeiro. Vocês têm bastante tempo  para ler tudo!

 

Open Window, Collioure by Henri Matisse

Henri Matisse, Open Window, Collioure, 1905, National Gallery of Art, Washington,

 

(Minha amiga Vera do Val (Inquieta) me deu essa imagem de presente. Disse que é a cara do meu blog. É? Não é? É! Obrigada Vera)

 

Beijos

E Feliz Ano Novo.

Escrito por Day às 10h39
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um vôo sobre o mar e as letras

Pérolas da nossa Zona Oeste

Naira Veríssimo

BAGAGEM DE MÃO
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rec.web.terra.com.br

Bagagem

 

Vou fazer uma viagem.

Levo na bagagem

A minha coragem,

A saudade

Dos momentos felizes que tivemos

E da verdade

De todo sentimento.

Carrego também,

Um vazio que você me deixou

Ao partir sem avisar.

Levo o bilhete

Que você deixou

Mesmo sem se despedir.

 

“meu coração é tão fundo

 que dele eu retiro o mundo

apenas para você entrar”

 



Escrito por Day às 16h32
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ANJO DE PRATA
Beto Muniz
 
 
JOANA

-VACA!!!

Xinguei e dei o tapa com raiva, mas não ouvi o estalo emitido pela palma da minha mão. O som breve e seco foi levado para o inconsciente e nalgum lugar da mente meus sentidos despertaram um prazer antigo, gozado todas as vezes que papai matava porco no sítio.

Para os moleques da família o pernil suíno tinha a mesma consistência e volume dum corpo adversário, excelente para treinar os golpes certeiros, decisivos, daqueles capazes de definir uma luta na saída da escola. Por isso, enquanto esperava que os homens da casa retalhassem as carnes separando gorduras, ossos e couro, o traseiro de porco pendurado num dos galhos da mangueira substituía as fuças dos inimigos imaginários - apanhava pelo Pedrinho, aquele fidumaégua. Meus primos treinavam murros e também me ensinavam a fechar a mão corretamente na hora de socar. O polegar devia firmar os demais dedos, os cotovelos levemente abertos e os ombros posicionados. O punho esquerdo servia para tirar a atenção do adversário enquanto o soco direito era arremessado forte, sem dó! Mas esmurrar o pedaço de porco não era meu passatempo predileto. Eu peguei gosto mesmo em estapear o quarto traseiro de suíno. A palma aberta, os dedos juntos, levemente arqueados para emitir som e a mão elevada pouco acima da orelha direita para ser desferida num ângulo reto, descendente. Uma obra de arte! Eu tinha jeito pra coisa. O tapa gritava forte, o estalo doía na palma, mas a mão gozava no tremor da carne gemendo, se abrindo e acomodando a agressão. Eufórico, recepcionando o tremor frio do couro esbranquiçado a cada golpe desferido, eu batia, e batia, e batia.

O rosto branco da Joana estampava os contornos dos dedos e os vincos da minha mão. Era a primeira vez que eu batia numa mulher. Olhos arregalados ela ainda estava assimilando a agressão quando repeti o tapa. Eu nem lembrava mais o motivo da raiva, do xingo e do tapa inicial. O prazer tomara posse de mim e sobrepujara todos sentimentos e emoções quando minha mão afundou na carne quente, macia e aconchegante pela segunda vez. Dessa vez sem xingo! Só para confirmar que a cara da Joana era incrivelmente melhor de se estapear que a bunda fria de um leitão. Redescobri algo em que eu era bom, eu ainda levava jeito. Eu quis, até pensei em repetir, sentir novamente a mão estalando gostoso na bochecha morna da Joana, mas não tive tempo.

- VACO!! - e a mão espalmada encheu minha cara de estalo, dores e calores.

Joana reagiu mais por susto. Estava tão surpresa, agoniada e assustada quanto eu, mas acredito que não foi a dor, nem a coragem que a fez devolver o tapa e o xingo. Foi sua dignidade. Ela tinha essa coisa de igualdades, direitos iguais, dente por dente ou olho por olho. Tudo para ela tinha que ser nas mesmas condições... Mas eu já tinha pegado gosto! Durante um bom tempo, mesmo sabendo que Joana ia retribuir, eu metia a mão na cara dela.

 



Escrito por Day às 15h26
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Escritores da Estácio-Letras/Barra World

GABRIEL (BOZ) BOZANO

 

Livre

A planície era deserta, a água evaporava de sua pele e do radiador do carro sem combustível, o vento era quente demais, balançava a folha colocada meticulosamente na máquina de escrever enquanto as teclas bronzeadas refletiam seus olhos distantes.

Foi tudo tão rápido. Tantos arquivos perdidos entre bytes e dados apagados de memórias virtuais sem eletricidade. Tantas palavras perdidas por mentes que agora jogavam xadrez com a morte. Tudo arruinado por um cataclismo viral mundano, nascido de um pato Tailandês, que se espalhou mais rápido que aquele e-mail cheio de fotos pornográficas daquela estrela pop. Só o que lhe restou foi uma folha de papel em branco e uma antiguidade de escrever siamesa de teclas cor de bronze e tinta hesitante.

Era uma antiguidade por ter sido adquirida pelo bisavô de alguém em um mercado de pulgas londrino e comprada por ele em um site de leilões. Pagou com o dinheiro que ganhou vendendo o avatar guerreiro de um jogo virtual que ficou mais tempo no ar do que o site da ONU, enquanto a epidemia se alastrava como containers de cd's piratas. Era siamesa por ser uma máquina de escrever Smith Premier adaptada, com teclados ofuscando caracteres de uma língua desconhecida para ele, que ele usava para entreter convidados em festinhas eletrônicas que fazia em seu loft descolado. Era agora um irmão
siamês colada a sua cintura, uma apêndice de sua existência, mais vivo do que ele pelo poder de criar algo para uma posteridade inexistente, uma posteridade onde sua voz, sua mente e seu corpo haviam sido expulsas do show de hip-hop por um segurança invisível.

Agora queria escrever seu epitáfio de covarde, depois de fugir por entre cadáveres urbanos e tosses terminais, para uma estrada sem fim que cortava uma planície áspera e seca.Tinha gasto meio tanque quando começou a tossir sangue.

Iluminado por um sol indiferente, digitou como nunca havia digitado antes, como se fosse ano novo, como se fosse um casamento, como se fosse seu nascimento, teclas sonhadas por um inconsciente que acreditava em vida após a morte e ressurreição.

Pouco tempo depois morreu, sem saber que havia escrito a poesia mais linda que já existiu.

Pena que os poucos que sobreviveram, nunca aprenderam a falar siamês. 








Escrito por Day às 14h16
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Cry me a river...

Maria Helena Bandeira

 

Before the Moment
by Linda Carter Holman

 

        
 

Summertime

 

“Summertime,
Child, the living's easy.
Fish are jumping out
And the cotton, Lord,
Cotton's high, Lord, so high”

 

 

           Billie dedilhou os primeiros acordes de Summertime... Mimi entrou com sua voz rouca,  Janis... a música lancinante  percorria  as mesas quase vazias do fim de noite. 

           Eu acompanhava, fazendo o backing na surdina... child, the living’s eaaasy...  quando ela incorporava a Joplin  não havia outro caminho senão aproveitar.

           Mimi era uma grande cantora, teria sido famosa se tivesse nascido no sul dos states e não no norte da zona. Fish are jumping out... annnnnnd the cotton is hiiighhhh....

           Tinha um timbre rascante e dolorido que lembrava a outra, um fraseado jazzístico, incongruente naquele mundo empoeirado dos cigarette blues.

           E a imponência, o corpo escultural onde os anos iam acrescentando gorduras sem boa-vontade. Pintava o cabelo de louro, para imitar Marina, mas era morena da terra, brasileira, alma de Janis, voz de Janis em corpo de axé.

           Cantava forró de raiva e samba em desespero, com sua alma de blues. Ela era summmertime, cover de Joplin.. arrepiante.

           E se apaixonava por caminhoneiros.



Categoria: "cry me a river..."
Escrito por Day às 13h52
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           Toda a intensidade de seu rouco desempenho lembrava aqueles amores baldios. Os caras sumiam na poeira da estrada. Fazer o que? Éramos cometas encontrando cometas em órbitas disparatadas.

           Mimi bebia muito e desconfio que isto ajudava seu desempenho absurdamente forte. Todos nós afogávamos a voz, o piano, a guitarra e os blues no fundo do copo e na fumaça dos baseados.

           Naquela noite estava melhor do que nunca... summertime....  a voz contracenando com a guitarra,  dura, incomparável... Oh, your daddy's rich  and your ma is so....de repente ela se curvou e desabou no palco...

           Corremos, Blllie , Marina e eu e a retiramos do chão, se esvaindo em sangue.

           Os poucos fregueses olhavam assustados, mas mal perceberam  o que acontecera.

           No camarim, deitei Mimi na  minha cama, pálida, ainda sangrando:

- Billie já foi buscar o médico...

- Eu .. não quero médico.. você sabe... não posso... tentou se levantar



Categoria: "cry me a river..."
Escrito por Day às 13h49
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- Fica quieta!...-  segurei sua mão - ... Por que, Mimi?

- Eu pensei...ele disse...  - começou a chorar baixinho

- Ta bom, fica quietinha... quem sabe ele não vai voltar?..  te procurar... 

- Não vai não... mas eu, eu acreditei... idiotas nós.. todas nós – recomeçou a chorar silenciosamente

- Não foi idiotice.. foi amor – minha voz estava rouca

- Amor... – nem que eu viva mil anos, vou esquecer o olhar dela para mim, cão batido era isto.

           Mimi se recuperou rápido, se apaixonou de novo, encarnava Janis na poeira de estrelas.. summertime... Child, the living’s easy.. 

           Quando sentiu que a gordura venceria as curvas, baixou os olhos para a terra. e entre os amantes do forró conheceu seu fazendeiro – um sitiante de Maria da Ajuda, vilarejo perto de Cabuçu.

           Ele vinha todas as noites ao barzinho sórdido só para ver Mimi. E até passou a curtir Joplin... Hush baby baby, baby, no no no, no, no, no, Don’t cry,  don't you cry ...amor de verdade.

           Outra vez se curvando, caindo no palco, desta vez com  braços fortes para ampará-la.

           Mimi casou na Igrejinha caiada, de véu e grinalda.

           No coro, Billie tocou Sophisticated Lady pela primeira vez para outra mulher e eu, com voz de Janis, acompanhei a guitarra dolorida... You're gonna spread your wings... Foi o nosso adeus.

           Saímos pela noite estrelada sem olhar para trás.

           Mimi reencontrara a inocência perdida.

           Na rodoviária deserta, Marina observou que era verão, summertime. Por alguma razão que eu não consigo recapturar, achamos aquilo espantosamente engraçado. E continuamos a rir até explodir a madrugada.

 



Categoria: "cry me a river..."
Escrito por Day às 13h47
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Abismo

Daisy Melo

.

Se  eu tivesse feito tudo de outra forma, se tivesse seguido outro caminho, as coisas pudessem ser diferentes.

Talvez eu tivesse sido feliz ou plena, não sei.

Talvez... só talvez. Agora já não há mais como saber.

Escuto murmúrios, vozes entrecortadas, barulho de pés se arrastando no piso frio do quarto, parece que têm pressa. É dia ainda. Consigo perceber, de onde estou, uma réstia de luz, teimosa, escorrendo através da cortina da janela. Um suor frio atravessa o meu peito, contorna os seios, desce pela barriga, cai no umbigo como numa poça. Acho engraçado. Ainda consigo rir. Um cheiro de maresia ao longe, traz outras lembranças. Coisas antigas de quando era bem menina e uma onda mais afoita quebrava com estrondo, me arrastava, eu virava uma coisa só junto à areia e a água salgada. A calcinha do biquíni ganhava um bolo de areia dentro. O sutiã subia, deixando aparecer uns peitinhos inexistentes. Eu não tinha medo, era feliz. Não havia escolhas. Mas veio o tempo que seca a beleza, o amor, as palavras. Destrói e desune como a areia na água.

As vozes se intensificam, parecem mais altas, porém mais longes. Mãos que me tocam descuidadas, me viram do avesso, me sacodem. Como garras. Não percebo o sentido. Sinto pingar lágrimas em mim? Que estranho...

“O tempo seca a saudade, as lembranças e as lágrimas. O tempo seca o desejo e suas velhas batalhas”[1]. Deixa, talvez, mas só talvez, um retrato empoeirado, bailando solitário e vazio, em cima do móvel da sala. E aquele tempo vai mudando e de vez em quando a gente lembra daquele beijo. Como um acalanto. E o medo reaparece porque você sabe que o beijo ficou antigo e não tem volta. O tempo não retorna nem amarrado porque o passado já nos perdeu. Já esqueceu nosso endereço.

Sinto a boca seca. Uma dormência nas pontas dos dedos. Minhas pernas vagam soltas, nem estão mais comigo. Sinto, apesar de você não estar aqui, que seus olhos estão perigosamente dentro de mim e habitam entre a réstia de luz e o seu retrato. E farfalham suaves como seda entre os meus poros e os meus pêlos. Eu morro. Mas meu corpo está aceso em sede. E o seu olhar me trai a cada segundo.

Talvez agora eu possa. Talvez eu consiga, enfim. Desamarro-me das cordas mofadas e empoeiradas, me desprego do porto, solto os grilhões do passado e vou, cabeça erguida, confiante e nua, para além do mar, rumo ao meu destino. Agora não há mais sonhos. Nem é preciso escolher. Só existem as sombras embalando meu sono sobre a noite que chega e secretamente me assombra. Não corro mais o risco de ser feliz ou triste. Meu destino quedou por um triz entre sucessos e desatinos. E agora me espreita à beira desse atraente abismo.

29/01/04

 



[1] Versos de Cecília Meireles.



Escrito por Day às 13h29
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Ah, se eu tivesse escrito isto...

Umberto Krenak

Bicho de gente

 

- Naldo, êi, Naldo, ocê olhou daquele lado?

- O quê, mãe?

A mulher apontou para a coluna de fogo que se erguia no canto do descampado:

- Olhou?

- Não. Tá muito quente lá.

- Vai já, porcaria, aproveita enquanto é dia. Ocê já tem sete ano, num pode ficá brincano; se a gente bobeia, os ôtro campeia.

O menino olhou a multidão que disputava cada canto do lixão.

- Tá bão, eu vou. Enquanto isso, vê se a senhora e os minino pega uns urubuzim pra gente fazê, dos novim, que eu tô cansado de comê rato.



Categoria: ah, se eu tivesse escrito isto..
Escrito por Day às 12h13
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Umberto Krenak

 

 

bicho

 

Abriu a lata de lixo, em busca de comida. A barba farta caindo sobre o peito descarnado. Das entranhas, um grito de protesto. Urro de bicho com fome. Levantou a tampa do latão, enfiando as fuças lá dentro pra sentir o cheiro. Nada de bóia. Em vez, um verso. Um não. Vários. Um livro.

Quando a polícia recolheu o corpo - desnutrição, disse o legista - tinha uma página aberta entre as mãos:

 

Vi ontem um bicho,

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão.

Não era um gato.

Não era um rato.

 

O bicho, meu Deus, era um homem.

(Manoel Bandeira)



Categoria: ah, se eu tivesse escrito isto..
Escrito por Day às 12h10
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Objeto do Desejo

Abel Silva

O compositor Abel Ferreira da Silva nasceu em Cabo Frio (RJ), em 28 de fevereiro de 1943, mas foi criado no bairro do Catete, para onde se mudou com a família, aos dois anos de idade. Estudou na Faculdade Nacional de Filosofia e Direito, liderando nas décadas de 60 e 70 os movimentos estudantis. Formado em Letras, em 1969, atuou na Escola de Comunicação, tendo sido editor do jornal ‘Opinião’ e da revista de cultura ‘Anima’, ao lado do poeta e amigo Capinam.

Nessa época morou no Solar da Fossa, onde conviveu com Torquato Neto, Caetano Veloso e Gal Costa. Enveredou-se pela poesia e, no auge da repressão militar, em 1971, lançou o romance ‘O Afogado’. Em 74 publicou o livro de contos ‘Açougue das Almas’ e em 79 seu primeiro livro de poesias, intitulado ‘Asas’.

Sua carreira de compositor começou por acaso. De sua amizade com Raimundo Fagner surgiu a primeira parceria, ‘Bodas de Sangue’ e depois ‘Asa Partida’. Já como poeta-letrista, Abel marcou presença junto a compositores e intérpretes nordestinos, como João do Vale, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Ro-bertinho do Recife e Amelinha.

Entres suas composições mais famosas encontramos: ‘Festa do Interior’ e ‘Espírito Esportivo’ (parcerias com Moraes Moreira), ‘Brisa do Mar’ e ‘Simples Carinho’ (com João Donato), ‘Quando o Amor Acontece’ e ‘Desenho de Giz’ (com João Bosco), ‘Água na Boca’ (com Tunai) e ‘Transparências’ (com Roberto Menescal).

Sua parceira mais constante foi a compositora Suely Costa, com quem Abel Silva criou obras-primas, como ‘Jura Secreta’, ‘Alma’, ‘Primeiro Jornal’, entre outras. Os melhores intérpretes de suas canções foram Elis Regina, Simone, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão, Fagner, Cauby Peixoto, entre outros. Atualmente é Diretor Administrativo da União Brasileira de Compositores (UBC).


http://www.samba-choro.com.br/artistas/abelsilva



Categoria: Objeto do Desejo
Escrito por Day às 12h05
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Objeto do Desejo

Abel Silva

 

Jura Secreta

Composição: Sueli Costa / Abel Silva

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri

 

Desenho de Giz

Composição: Abel Silva e João Bosco

Quem quer viver um amor
Mas não quer suas marcas
Qualquer cicatriz
A ilusão do amor
Não é risco na areia
Desenho de giz
Eu sei que vocês vão dizer
A questão é querer
Desejar, decidir
Aí, diz o meu coração
Que prazer tem bater
Se ela não vai ouvir
Aí, minha boca me diz
Que prazer tem sorrir
Se ela não lhe sorrir também
Quem pode querer ser feliz
Se não for por um bem de amor
Eu sei que vocês vão dizer
A questão é querer
Desejar, decidir
Aí, diz o meu coração
Que prazer tem bater
Se ela não vai ouvir
Cantar mas me digam pra quê
E o que vou sonhar
Só querendo escapar a dor
Quem pode querer ser feliz
Se não for por amor



Categoria: Objeto do Desejo
Escrito por Day às 11h51
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Baile das mãos

Daisy Melo

 

Suas mãos me tocam loucas

tateando a descoberta

no calor do proibido

 

vasculham soltas

param absortas

me roubam o beijo,

recomeçam tontas

sobressaltando-me em arrepios.

 

pele estampada no desejo.     

topázios em fios me enlaçam

 

e eu permito.

 

02/02/04

 

 



Escrito por Day às 11h42
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